Trabalhadores da Amarsul mantêm greve convocada para 14 e 16 de junho

Os trabalhadores da Amarsul, empresa de Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos, recusaram a nova proposta de aumentos salariais da administração e decidiram manter o pré-aviso de greve para quarta e sexta-feira, disse hoje fonte sindical.

"A nova proposta da administração foi considerada insuficiente pelos trabalhadores", disse à agência Lusa José Sousa, do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL), lembrando que os trabalhadores exigem um "aumento salarial de 30 euros", a partir do mês de junho.

De acordo com o sindicalista, a proposta inicial da administração previa aumentos salariais de cerca de 11 euros para trabalhadores com salários até 1.000 euros e de 7,5 euros para os trabalhadores com salários acima daquele montante.

Durante uma reunião realizada segunda-feira, a pedido dos municípios da região de Setúbal que detêm 49% do capital social da Amarsul (Alcochete, Almada, Barreiro, Moita, Montijo, Palmela, Seixal, Sesimbra e Setúbal), a administração da empresa terá dado a conhecer uma nova proposta de aumentos salariais de 21 euros por trabalhador, para salários inferiores a 1.000 euros, de 15 euros para trabalhadores com salários até 1.500 euros e de 7,5 euros para os restantes funcionários.

Segundo a comissão intersindical da Amarsul, esta proposta foi hoje recusada nos plenários de trabalhadores, que decidiram também manter a greve já marcada para os dias 14 e 16 de junho.

Em comunicado, a comissão intersindical da Amarsul garante que está disponível para encontrar uma solução pela via negocial, mas reafirma a proposta de aumentos salariais de 30 euros por trabalhador a partir de Junho e até Dezembro.

Para aquela estrutura sindical, os aumentos reivindicados pelos trabalhadores correspondem a um montante global de 59.400 euros, valor que considera estar "perfeitamente ao alcance de quem já retirou [através da distribuição de dividendos] mais de 6,8 milhões de euros de lucros [da AMARSUL] nos dois últimos anos".

Logo que foi conhecida a decisão dos trabalhadores, de manter o pré-aviso de greve, algumas autarquias, designadamente as Câmaras Municipais de Setúbal e do Barreiro, anunciaram de imediato que não haverá recolha de resíduos sólidos urbanos durante o período de greve e apelaram à população para que não deposite resíduos nos contentores públicos durante a greve dos trabalhadores da Amarsul.

A Amarsul passou a integrar o grupo Mota-Engil em julho de 2015, quando aquele grupo empresarial adquiriu a Empresa Geral de Fomento (EGF), detentora de 51% do capital social da Amarsul, num processo que continua a ser merecer grande contestação dos municípios da região.

Em julho do ano passado, a Associação de Municípios da Região de Setúbal (AMRS) e sindicatos do distrito também se manifestaram contra a distribuição de seis milhões de euros de dividendos pelos acionistas da Amarsul, que consideraram ser uma "apropriação" dos capitais gerados pela gestão pública.

"Estamos em frontal desacordo com as orientações da empresa que adquiriu o capital da EGF e o controlo da Amarsul. Essas orientações passam por pretender apropriar-se dos resultados alcançados pela gestão pública dos últimos anos na Amarsul", disse, na ocasião, o presidente da AMRS, Rui Garcia.

Apesar da contestação e da denúncia pública da situação pela AMRS, há cerca de um ano, a Amarsul acabou mesmo por avançar com a distribuição de dividendos pelos acionistas.

Para os trabalhadores, os aumentos de 30 euros que estão a reivindicar e que, em termos globais ascendem a cerca de 59 mil euros, são praticamente irrelevantes face aos 6,8 milhões de euros distribuídos nos dois últimos anos pelos acionistas.

A Lusa tentou contactar com a Amarsul, mas não foi possível até ao momento.

Fonte:Lusa

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