João Barradas inicia dia 15 de Setembro uma digressão europeia enquanto "Rising Star"

O acordeonista português inicia no domingo, em Colónia, Alemanha, uma digressão como parte das ECHO Rising Stars, um “privilégio” no ano em que se prepara para lançar o terceiro disco em nome próprio.

Na Kölner Philarmonie, Barradas inicia um ciclo que conta com um total de 17 atuações em vários países europeus, em algumas das principais salas de concerto, enquanto jovem artista escolhido pela European Concert Hall Organization (ECHO) para a próxima temporada.

“Estar nesta digressão [intitulada ‘Rising Stars’, ‘estrelas em ascensão’] é um privilégio e uma coisa que nunca pensei que pudesse acontecer. Esta ‘tournée’ já lançou vários jovens músicos que hoje são conceituados e que admiro bastante”, diz João Barradas à Lusa.

Outra das razões pelas quais a nomeação para o programa de circulação de valores europeus é importante prende-se com o facto de esta ser “a primeira vez que nomearam um acordeonista”, o que permite levar recitais solo de acordeão a “alguns sítios em que será uma estreia total”.

Entre a programação estão concertos na Wiener Konzerthaus, na capital austríaca, na Philarmonie Luxembourg, no Luxemburgo, na Filarmónica de Paris, no Barbican Centre, em Londres, e um festival de verão em Baden-Baden, em julho do próximo ano.

Pelo meio, há duas salas portuguesas, a Casa da Música, a 18 de abril de 2020, e a Gulbenkian, em fevereiro, este um concerto “especial”.

“Vivo lá perto, vou lá com muita regularidade. (...) Adoro a sala e já tenho uma relação muito grande, toquei lá várias vezes, mas nunca um recital a solo. Vai ser um marco para mim, e um dia bonito”, atira.

Apesar de não fazer “do acordeão uma bandeira”, há esse interesse de levar mais longe um instrumento que, num recital a solo em salas pela Europa fora, é “quase um sonho tornado realidade”.

A mistura entre a música clássica e o jazz marcou toda a carreira e vai acontecer também na digressão, intercalando peças de Bach e a encomenda da ECHO “E[N]IGMA”, do francês Yann Robin, com material próprio.

Entre as peças, há uma transição e arranjo das “Quatro Estações”, de Piazzola, mas também peças de Bach compostas para órgão que aqui passarão para o acordeão, num programa que “já está a ser gravado para um disco, a sair em fevereiro de 2020”.

Em destaque estará outro disco novo, “Portraits”, o terceiro de jazz enquanto líder de banda, assumindo aqui a liderança de um quinteto em que as obras vão ao encontro da "estética pessoal" que ouve em casa.

“Este vai mais de encontro à forma como eu improviso, e formas que fazem mais sentido. Vai sair na primeira semana de novembro, pela Inner Circle Music, e, em Portugal e Europa, pela Nicho”, revela.

O acordeonista já esteve a apresentar o disco em algumas salas do país, passando ainda, até final do ano, pelo Guimarães Jazz, antes de voltar, “no verão de 2020, para encerrar o projeto”.

Um concerto “totalmente improvisado, uma carta branca” do Centro Cultural de Belém, a 29 de novembro, será gravado. A gravação será uma estreia em atuações ao vivo, mas não é ainda certo que seja editada.

Para o músico, “não há distinção” entre a forma como se movimenta na música clássica ou no jazz, uma vez que cresceu a ouvir os dois géneros, além de ter aprendido “a estar em forma nos dois mundos”.

“Não se tocam assim tanto, mesmo que consiga arranjar pontes em que uma tradição fortalece a outra. (...) Vivendo estes dois mundos, tento ser o mais sério possível a conhecer as duas tradições”, acrescenta.

Barradas é o terceiro português no programa, depois de ter sido nomeado por três membros da ECHO, a Casa da Música -- a Fundação Calouste Gulbenkian e a Philarmonie Luxembourg --, sucedendo ao clarinetista Horácio Ferreira (2016/17) e ao Quarteto de Cordas de Matosinhos (2014/15).

O programa ECHO escolhe, em cada temporada, seis artistas de música de câmara cujo potencial é reconhecido pelos membros da rede europeia, com Barradas a ter já no currículo colaborações com músicos como Greg Osby, Gil Goldstein, Alexander Toth ou João Paulo Esteves da Silva.

Entre os prémios conquistados, destacam-se o Young Musician Award, em 2016, e as duas vitórias da competição "Made in New York", em 2015, no geral e na categoria de solo instrumental.

Em 2002, venceu o concurso televisivo da SIC "Bravo Bravíssimo", precedendo uma série de vitórias no Troféu Nacional de Acordeão, em várias categorias e faixas etárias, de 2005 a 2010, antes de conseguir, em 2010, o primeiro prémio do 60.º Troféu Mundial de Acordeão, na categoria "júnior clássico".

A organização ECHO, criada em 1991, agrega algumas das principais salas de música europeias, com as Rising Stars (estrelas em ascensão) a atuarem, durante uma temporada, nas várias salas de concerto que a constituem.

Fonte:LUSA

Foto:Inês Galvão Teles

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