A ópera “Amor de perdição” estreia-se a 13 de março, no Teatro de Vila Real, e encerra oficialmente o programa das comemorações dos 200 anos do nascimento do escritor Camilo Castelo Branco, foi hoje divulgado.
O espetáculo que encerra as comemorações oficiais do bicentenário do nascimento do escritor – a 16 de março de 1825 – é uma encomenda da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), com libreto da autoria de Eduarda Freitas e música de Fernando Lapa.
“A CCDR-N assumiu a necessidade de assinalar, a Norte, as comemorações do bicentenário de nascimento de Camilo Castelo Branco, colmatando o ‘esquecimento’ por parte de outras instâncias”, afirmou hoje à agência Lusa João Ribeiro da Silva, chefe de divisão de Programação e Promoção Cultural da comissão.
Para o efeito, explicou, juntou cerca de 40 parceiros, entre instituições públicas e privadas, para “assim construir um programa diversificado, heterogéneo, multifacetado e transdisciplinar”.
“Foram dezenas de ações que decorreram durante 2025, terão o seu ponto alto com a estreia da ópera ‘Amor de perdição’, e continuarão ainda ao longo dos próximos meses. Ações educativas, de formação, de criação artística e muitas edições, entre tantas outras, sempre com o objetivo de divulgar Camilo, a sua vida e a sua obra”, salientou.
A inspiração para a ópera é “Amor de Perdição”, um dos mais conhecidos romances de Camilo Castelo Branco e, à Lusa, Eduarda Freitas disse o objetivo não foi transpor para o palco o livro camiliano.
Segundo a libretista, são obras diferentes que contam a mesma história de amor de Teresa e de Simão, sem seguir a ordem cronológica do livro em que os jovens vivem um romance proibido que culmina na morte de ambos após perseguições, o degredo de Simão e a ida de Teresa para um convento.
“O que eu tentei de alguma forma fazer foi dar destaque aos sentimentos mais do que às próprias personagens”, referiu, explicando que, em palco, ganha destaque o coro que “tão depressa é a voz social, é uma reflexão, é um sentimento, portanto, assume várias personagens e várias características ao longo da obra”.
O coro dá voz aos sentimentos numa peça em que os figurinos são iguais para todos, os três solistas saem de dentro do coro e a encenação é minimalista e focada na “beleza das vozes, dos movimentos e da luz”.
Eduarda Freitas é ex-jornalista, fundou a agência criativa Inquieta e dedica-se à escrita dramatúrgica, estreando-se na ópera em 2021 com o libreto “Mátria”, a que se seguiram “Aurora”, “As Sombras de uma Azinheira” e o monólogo “22 Beijos”.
“Mais do que o lado espetacular e brutal desta tragédia camiliana, interessou-me desde o início a estilização da narrativa proposta pelo libreto”, afirmou, por seu lado, o compositor Fernando Lapa.
Lapa explicou que a “partir daí a obra desenvolve-se singelamente, numa tentativa de leitura do mundo interior dos personagens, apostando tudo na singularidade e autenticidade de cada figura”.
“As vozes sempre no centro de tudo, sem véus nem disfarces, indefesas, e o coro, como fiel da balança, qual tragédia grega”, acrescentou.
A peça é encenada por Ángel Fragua, tem direção musical de Jan Wierzba, desenho de luz de Cárin Geada e é interpretada por Raquel Mendes (soprano), Paulo Lapa (tenor) e Inês Constantino (mezzosoprano) com os Moços do Coro e Oniros Ensemble.
A criação e produção são da Inquieta, com coprodução do Teatro de Vila Real.
A estreia acontece a 13 de março e há ainda sessões marcadas para os dias 14 e 15.
Camilo Castelo Branco (1825-1890) foi jornalista e escritor e teve também em Trás-os-Montes um local de inspiração, tendo passado por Vila Real, Vilarinho da Samardã e Ribeira de Pena.
Fonte: LUSA

