As descargas de barragens previstas para o Rio Tejo na próxima noite podem agravar as cheias nas povoações ribeirinhas do concelho de Azambuja, depois de um rombo nas margens do Rio Alenquer, avançou hoje o presidente da autarquia.
Em declarações à Lusa, Silvino Lúcio (PS) disse que a situação no município do distrito de Lisboa agravou-se na noite passada ao nível dos rios Ota e Alenquer, tendo este último curso de água, que desagua perto de Vila Nova da Rainha, sofrido “um rombo na margem”, pelo que, em vez de “passar dentro do seu leito”, se espalhou e cortou a Estrada Nacional 3, entre o Carregado e Castelo Branco.
“A preocupação maior neste momento é o nível das cheias, que podem vir a acontecer de uma forma bastante mais evidente, porque as barragens vão, esta noite”, de acordo com informação do comando regional, “largar 9 mil metros cúbicos por segundo”, afetando “o Tejo e todas as povoações ribeirinhas”, explicou.
Entre as zonas que podem ser afetadas, o autarca nomeou Virtudes, na freguesia de Aveiras de Baixo, Azambuja e Vila Nova da Rainha, que “está longe do Tejo, mas tem a convergência” dos rios Ota e Alenquer, que “descarregam para lá”.
“Com a maré e com esse avolumar de águas no Tejo, tudo leva a crer que as condições meteorológicas, em termos do nível dos rios, irá ser superior ao que está agora no momento”, salientou Silvino Lúcio, ao início da tarde de hoje.
Depois da tempestade Kristin, que derrubou “um grande volume de árvores” e provocou “algumas situações” em habitações particulares, com “uma pequena chapa que se levantou e pouco mais”, não se registaram danos em estruturas do município, mas há muitas infraestruturas elétricas da E-Redes derrubadas por árvores, referiu.
“Temos cerca de 10% da população ainda sem luz”, estimou o autarca, acrescentou que a empresa tem trabalhadores no terreno a reparar as linhas destruídas.
Em termos de povoações isoladas, Silvino Lúcio contou que, em Porto da Palha, duas pessoas saíram por sua iniciativa e um casal, apesar de indicações da Proteção Civil e da GNR, disseram que têm um barco e “que não abandonavam as suas coisas, e ficaram lá”.
Em Vila Nova da Rainha, o nível da água “subiu muito e já está a entrar em casa das pessoas que moram” paredes-meias com o rio Ota e, por isso, 10 moradores foram transferidos para a Casa da Juventude, para terem “as condições mínimas para poderem passar” esta noite “e as noites que forem necessárias”.
O autarca agradeceu o reforço de meios do Exército, com homens e maquinaria para “ajudar esta povoação e o concelho para aquilo que for necessário”, bem como aos funcionários da Junta de Freguesia e do município, bombeiros, sapadores e a própria população, que têm sido imprescindíveis “para minorar o efeito destas tempestades”.
O Plano Municipal de Emergência foi ativado no domingo à noite e Silvino Lúcio sublinhou que o mecanismo permite cumprir “um conjunto de requisitos e um conjunto de disponibilidades por parte de todos os intervenientes e das entidades que fazem parte”, nomeadamente em função de equipamentos e disponibilidade de meios humanos.
Doze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo decretou situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Fonte: LUSA

